Virada do ano: fogos barulhentos seguem proibidos em BH e acendem alerta para saúde de animais e pessoas sensíveis
Optar por alternativas silenciosas é um gesto de respeito e empatia
Com a chegada de 2026, a expectativa pelas festas e celebrações se intensifica. A queima de fogos continua sendo uma das tradições mais populares da virada, com luzes e cores marcando a passagem de ano em várias cidades do país. Mas o espetáculo que encanta muitos representa um verdadeiro tormento para outros.
O barulho dos fogos de artifício com estampido afeta diretamente animais domésticos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, pacientes acamados e pessoas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Os estrondos podem causar crises, pânico, alterações físicas e distúrbios comportamentais.
Lei e fiscalização em Belo HorizonteDesde 2022, Belo Horizonte proíbe o uso de fogos com ruídos por meio da Lei Municipal 11.400. A norma ganhou reforço em 2023 com o Decreto 18.041/23, que estabeleceu penalidades para quem descumprir a regra. Estão previstas multas e identificação do infrator, seja pessoa física ou jurídica. A infração se aplica a quem manusear, queimar ou soltar fogos com estampido, bem como aos responsáveis por eventos em que isso ocorra.
Apesar da legislação, ainda é comum o uso irregular dos artefatos em diversos bairros da cidade, principalmente na noite da virada.
Sofrimento silenciosoA médica veterinária neurologista da UFMG, Paula Mayer Costa, alerta para os riscos aos animais. Segundo ela, “os animais escutam melhor que os humanos. A excitação causada pelo barulho dos fogos provoca diversas alterações, entre elas convulsões e problemas cardíacos. Eles ficam com muito medo e tentam fugir”.
Nos pets, o barulho pode causar reações imediatas, como pânico, fuga e ferimentos. Tutores precisam recorrer a medicações ou estratégias de proteção, como isolamento em cômodos mais silenciosos.
Entre pessoas com autismo, os fogos podem gerar crises sensoriais graves. A hipersensibilidade auditiva torna sons altos e repentinos extremamente desconfortáveis, levando a episódios de angústia, choro e agitação. Idosos, pacientes em recuperação e pessoas com TEPT também relatam aumento da ansiedade, pressão arterial e distúrbios do sono.
Alternativa possívelEntidades de proteção animal, associações de autismo e profissionais da saúde reforçam o apelo: é possível manter a beleza das comemorações sem causar sofrimento. A substituição por fogos visuais, sem estampido, é defendida como uma medida simples e eficaz.
Esses artefatos produzem os mesmos efeitos visuais, com luzes e cores no céu, mas sem o impacto sonoro prejudicial. Além disso, evitam acidentes e reduzem riscos em hospitais, clínicas e lares.
Respeito e empatiaA virada do ano deve ser um momento de união e celebração para todos. Optar por alternativas silenciosas é um gesto de respeito e empatia. Campanhas de conscientização crescem em todo o país, mas a mudança depende também da responsabilidade de cada cidadão.
Ao se preparar para a contagem regressiva, lembre-se: fogos com barulho estão proibidos em BH. Celebre com consciência. O som da festa não pode ser o motivo do sofrimento de tantos.