AISP 9 sofre com abandono e estrutura precária em Venda Nova

O estacionamento da unidade de segurança está cheio de buracos e crateras, e há falta de iluminação externa

14/01/2026 09h28 - Atualizado há 1 mês

A Área da AISP 9 – Venda Nova, criada como símbolo da conquista popular por segurança pública na região, hoje enfrenta uma série de problemas estruturais e operacionais que comprometem o trabalho das forças policiais na região.

Inaugurada em 2009, a unidade foi construída em resposta à maior manifestação popular já registrada em Venda Nova, ocorrida em 2004, quando mais de 10 mil moradores e comerciantes ocuparam a Rua Padre Pedro Pinto para exigir do Governo do Estado a retirada do antigo "cadeião", onde mais de 600 presos chegaram a dividir celas improvisadas na antiga delegacia, marcada por constantes fugas.

Passados os anos, o cenário é de abandono. O elevador da unidade nunca funcionou, o estacionamento está cheio de buracos e crateras (foto), e há falta de iluminação externa. No mesmo lote da sede, recentemente tomado pelo mato, a limpeza foi feita com recursos financeiros e mobilização da própria comunidade. No interior, há mictórios interditados, falta de equipamentos essenciais, ausência de ar-condicionado e de espaço para atividades físicas. Os bebedouros estão sem manutenção, e as cadeiras, deterioradas.

Falta água

A situação é tão crítica que muitos policiais deixam o plantão sem sequer conseguir tomar banho, por falta de água, já que a estrutura hidráulica é deficiente. A precariedade atinge diretamente os mais de 200 profissionais de segurança pública que atuam na unidade, entre policiais militares, civis e servidores administrativos.

Não há contrato para manutenção e poda de árvores, o que já causou a queda de galhos sobre viaturas e carros de servidores. A identificação visual do prédio também está desgastada.

Além das falhas estruturais, há ainda denúncias de racionamento de combustível para as viaturas, o que pode afetar diretamente a atuação das forças policiais. A limitação no abastecimento pode comprometer o patrulhamento preventivo e a investigação de ocorrências, enfraquecendo o policiamento em uma das regiões mais populosas da capital.

Déficit de pessoal e verba insuficiente

A delegacia conta atualmente com apenas sete investigadores. O número ideal, segundo informações internas, seria de pelo menos 20.

Recentemente, a AISP 9 passou a receber R$ 4 mil mensais para custeio, valor considerado insuficiente para manter a estrutura básica da unidade.

Mesmo com tantas dificuldades, gestores e policiais fazem o que podem e se superam, realizando operações, apreensões e prisões.

A situação escancara a urgência de investimentos, manutenção e, principalmente, o respeito do Governo do Estado à trajetória de luta da comunidade por uma segurança pública efetiva em Venda Nova.

A reportagem encaminhou uma série de questionamentos à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e aguarda resposta.

 


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