Trote ao Samu coloca vidas em risco: quase 92 mil ligações falsas foram registradas em 2025
Chamadas indevidas ocupam linhas de emergência, atrasam atendimentos e podem impedir o socorro de pessoas em situações graves
Ligações falsas ocupam as linhas de emergência, atrasam o socorro e podem impedir o atendimento de pessoas em situações graves. O número 192 deve ser utilizado apenas em casos reais de urgência. Foto: Divulgação / Samu
O que para algumas pessoas pode parecer uma simples brincadeira, para outras pode representar a diferença entre a vida e a morte. Somente em 2025, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) registrou cerca de 92 mil trotes e ligações indevidas em Minas Gerais, número que acende um alerta sobre o uso consciente dos serviços de emergência.
As chamadas falsas ocupam as linhas telefônicas, desviam a atenção das equipes de regulação e podem atrasar o atendimento de pessoas que realmente necessitam de socorro imediato.
Linhas ocupadas podem impedir atendimentos urgentesDe acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), cada ligação recebida pelo Samu passa por um protocolo rigoroso de avaliação. Durante o atendimento, são coletadas informações essenciais, como nome do solicitante, endereço da ocorrência, idade da vítima e pontos de referência.
Segundo a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Poliana Cardoso Lopes, o impacto dos trotes vai muito além do transtorno administrativo.
“Uma ligação falsa pode impedir que uma pessoa em situação grave consiga atendimento no momento em que mais precisa. O telefone ocupado por um trote deixa de atender alguém que necessita de ajuda urgente”, alerta.
Somente em janeiro de 2026, o Samu recebeu mais de 184 mil ligações em Minas Gerais. Desse total, aproximadamente 5% foram classificadas como trotes ou chamadas indevidas.
Cada minuto perdido pode custar uma vidaA auxiliar de regulação médica da Central de Divinópolis, Jéssica Amaral, explica que os atendentes precisam confirmar as informações antes de identificar que se trata de uma chamada falsa.
“O tempo é vida. Enquanto um atendente tenta verificar uma ligação que não corresponde a uma emergência, pode haver alguém aguardando atendimento para um infarto, um acidente grave ou outra situação crítica”, destaca.
Já o diretor clínico da Central de Regulação de Divinópolis, Marco Antônio Expedito, reforça que os usuários devem manter a calma e responder corretamente às perguntas durante o atendimento.
“As informações fornecidas são fundamentais para que as equipes localizem rapidamente a ocorrência e prestem o atendimento adequado”, explica.
>> Siga nossa página no Instagram: @vendanova.com.br
Campanhas buscam conscientizar a populaçãoPara reduzir o número de trotes, o Samu realiza ações educativas em diversas regiões do estado. As atividades incluem palestras em escolas, treinamentos em empresas, hospitais, instituições religiosas e encontros com comunidades urbanas e rurais.
Na macrorregião Centro-Sul, foi implantado ainda um sistema antitrote que identifica números com histórico recorrente de chamadas falsas. Após ultrapassar o limite de 200 registros, as ligações passam a ser direcionadas para um atendimento automatizado. Em caso de emergência real, o usuário pode confirmar a necessidade do socorro e prosseguir normalmente com a chamada.
Trote pode resultar em multa e prisãoAlém de comprometer o funcionamento dos serviços de emergência, o trote pode gerar consequências legais para quem o pratica.
O Código Penal Brasileiro prevê punição para quem interrompe ou perturba serviços telefônicos de utilidade pública, com pena que pode chegar a três anos de detenção, além de multa.
Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 22.452/2016 também estabelece multa para o acionamento indevido de serviços de emergência, incluindo o Samu, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar.
O alerta das autoridades é claro: o número 192 deve ser utilizado exclusivamente em situações reais de urgência e emergência.