Período de seca aumenta risco de incêndios no Parque Serra Verde

Com histórico de queimadas provocadas por ação humana, unidade de conservação reforça monitoramento e pede apoio da população para evitar novos incêndios

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Período de seca aumenta risco de incêndios no Parque Serra Verde
Divulgação / IEF

A chegada do período de estiagem em Belo Horizonte coloca novamente o Parque Estadual Serra Verde, um dos principais patrimônios ambientais de Venda Nova, em estado de atenção. Com a vegetação mais seca, baixa umidade do ar e ventos mais intensos, o risco de incêndios florestais aumenta significativamente, exigindo reforço nas ações de prevenção e combate ao fogo.

O histórico preocupa. Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o parque registra ocorrências de incêndios praticamente todos os anos, e todas elas tiveram origem em ações humanas. Entre as principais causas estão a queima de lixo, a queima de restos de poda, a limpeza de terrenos utilizando fogo e atos de vandalismo, práticas consideradas ilegais e que colocam em risco um dos mais importantes remanescentes de vegetação nativa da capital.

No ano passado, um incêndio destruiu cerca de 8,4 hectares de vegetação no parque, mobilizando bombeiros, brigadistas e até apoio aéreo para controlar as chamas. Em outra ocorrência, a vegetação chegou a pegar fogo três vezes em apenas duas semanas, evidenciando a vulnerabilidade da unidade durante a seca.

Prevenção é reforçada durante a estiagem

Para reduzir os riscos, o IEF atualiza anualmente o Plano Integrado de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PIPCIF), elaborado em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte, Cidade Administrativa, organizações da sociedade civil e brigadistas voluntários.

Entre as medidas adotadas estão a manutenção de aceiros e trilhas, formação e capacitação de brigadas, campanhas de educação ambiental, monitoramento diário da unidade e a realização de queimas prescritas, técnica utilizada para reduzir o material combustível e diminuir a intensidade de futuros incêndios.

O parque também conta com uma brigada especializada contratada por meio de recursos de compensação minerária. Atualmente, a equipe é disponibilizada pela Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) e atua na unidade desde maio. Além disso, todos os servidores possuem treinamento para prevenção e combate aos incêndios.

O monitoramento é realizado diariamente por equipes em campo e conta ainda com câmeras inteligentes capazes de detectar focos de fumaça e fogo, instaladas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do projeto "Apaga o Fogo".

Biodiversidade e qualidade de vida estão em risco

Com aproximadamente 142 hectares de vegetação de transição entre Cerrado e Mata Atlântica, o Parque Estadual Serra Verde abriga nascentes, espécies da fauna e da flora nativas e desempenha papel fundamental na qualidade ambiental da região de Venda Nova.

Quando um incêndio atinge a unidade, os prejuízos vão muito além da vegetação queimada. O fogo provoca perda de biodiversidade, destruição de habitats, empobrecimento do solo, aumento da poluição do ar, impactos às comunidades vizinhas e elevados custos para as operações de combate.

Diante do período de seca, o IEF reforça o pedido para que a população evite qualquer tipo de queimada, não descarte bitucas de cigarro em áreas de vegetação, não utilize fogo para limpeza de terrenos e denuncie práticas irregulares aos órgãos competentes.

A preservação do Parque Estadual Serra Verde depende da atuação dos órgãos públicos, mas também da colaboração dos moradores de Venda Nova para evitar que novos incêndios coloquem em risco uma das mais importantes áreas verdes de Belo Horizonte.


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