Venda Nova terá parque agroflorestal, rotas verdes e obras contra alagamentos

Programa BH Cidade Viva prevê mais de 350 mil m² de parque ciliar, quase 13 km de rotas verdes e intervenções para beneficiar mais de 60 mil moradores

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Venda Nova terá parque agroflorestal, rotas verdes e obras contra alagamentos
Venda Nova receberá as primeiras intervenções do BH Cidade Viva, com parque agroflorestal, rotas verdes e soluções contra alagamentos. Foto: Fabiano Domingues/PBH

Venda Nova será o primeiro grande território de Belo Horizonte a receber intervenções do programa BH Cidade Viva – A natureza protegendo o nosso futuro, lançado oficialmente pela Prefeitura de Belo Horizonte nesta terça-feira (7). A iniciativa pretende preparar a capital para os impactos das mudanças climáticas por meio de soluções baseadas na natureza, com ações para reduzir alagamentos, amenizar ilhas de calor, ampliar áreas verdes e melhorar a capacidade de absorção da água da chuva pelo solo.

Na região, as primeiras intervenções previstas devem beneficiar diretamente mais de 60 mil moradores. Entre os principais projetos estão a implantação de um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados, quase 13 quilômetros de rotas verdes, transformação de pátios de equipamentos públicos, sistemas de captação de água da chuva e dois campos de futebol projetados para também ajudar no controle do escoamento superficial.

O lançamento do programa ocorreu no Auditório JK da Prefeitura e contou com a presença do prefeito Álvaro Damião, do secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, além de representantes de parceiros internacionais, como o C40 Cities Finance Facility (CFF), a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), o Consulado Britânico e o Consulado Honorário da Alemanha em Belo Horizonte.

Durante a cerimônia, foram assinados o decreto que institui oficialmente o BH Cidade Viva e um Memorando de Entendimento entre a Prefeitura e o CFF. Segundo a administração municipal, a cooperação internacional já garantiu mais de R$ 15 milhões em doações para estudos, projetos e modelagens destinados a orientar as futuras intervenções.

Parque agroflorestal terá mais de 350 mil m²

Um dos projetos de maior impacto previstos para Venda Nova é a implantação de um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados. A proposta é recuperar áreas localizadas às margens de cursos d’água e, simultaneamente, criar oportunidades de geração de renda para a população.

O espaço deverá receber hortas, frutas e outras espécies agroflorestais. A produção poderá ser comercializada pelos próprios moradores, integrando preservação ambiental, segurança alimentar e desenvolvimento econômico local.

A implantação de vegetação junto aos cursos d’água também integra a estratégia de adaptação climática da cidade, ao ampliar áreas permeáveis e contribuir para a recuperação ambiental de espaços urbanos.

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Quase 13 quilômetros de rotas verdes em Venda Nova

O programa prevê ainda quase 13 quilômetros de rotas verdes na região. A proposta é ampliar a arborização, criar mais áreas de sombra e qualificar os caminhos utilizados diariamente por moradores nos deslocamentos entre residências, escolas e equipamentos públicos.

A estratégia busca tornar esses trajetos mais confortáveis e preparados para períodos de calor intenso. Ao mesmo tempo, o aumento da vegetação e das superfícies permeáveis poderá contribuir para ampliar a infiltração da água da chuva no solo e reduzir os efeitos das ilhas de calor.

A iniciativa representa uma mudança na forma de pensar os deslocamentos cotidianos em Venda Nova, incorporando a adaptação climática ao planejamento dos percursos feitos a pé pela população.

Escolas e CRAS terão pátios desconcretados

Quatro equipamentos públicos serão diretamente transformados pelo programa: duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs), uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) e o CRAS Lagoa.

Os espaços terão áreas atualmente impermeabilizadas modificadas para receber soluções como jardins, telhados verdes e sistemas de captação de água da chuva. Ao todo, estão previstos mais de 37 mil metros quadrados dessas estruturas.

A proposta é armazenar parte da água das chuvas e favorecer sua infiltração no solo, reduzindo o volume que escoa rapidamente pelas ruas e chega aos sistemas convencionais de drenagem. As intervenções também deverão contribuir para deixar os equipamentos públicos mais frescos durante períodos de temperaturas elevadas e ondas de calor.

Venda Nova terá dois campos de futebol hídricos

Outra novidade prevista para a região é a implantação de dois campos de futebol hídricos. Diferentemente de estruturas convencionais totalmente impermeáveis, esses espaços serão projetados para ajudar na absorção da água da chuva e na redução do escoamento superficial.

A proposta integra lazer, uso comunitário e adaptação climática. Durante as chuvas, as estruturas poderão contribuir para retardar e absorver parte da água, diminuindo a pressão sobre a drenagem urbana.

Primeira entrega física será em escola de Venda Nova

A Escola Municipal Professor Moacyr Andrade, em Venda Nova, receberá o primeiro jardim de chuva implantado pelo BH Cidade Viva. A estrutura será a primeira entrega física do programa e marcará o início das intervenções nos territórios.

O projeto foi desenvolvido de forma colaborativa por estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura de Belo Horizonte. A comunidade escolar também participará dos cuidados e da manutenção do espaço.

O jardim de chuva será implantado como uma solução de drenagem sustentável, preparada para captar, armazenar temporariamente e favorecer a infiltração da água diretamente no solo.

Além de ajudar a reduzir o escoamento superficial e o risco de alagamentos, a estrutura poderá atuar como filtro natural, ampliar a presença de vegetação, favorecer a biodiversidade e contribuir para diminuir a temperatura no entorno.

Escola terá laboratório a céu aberto

O jardim de chuva da Escola Municipal Professor Moacyr Andrade também funcionará como um laboratório a céu aberto. O projeto, a execução, os cuidados e o monitoramento terão participação da comunidade escolar, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) – Campus Santa Luzia e de estudantes internacionais do Programa Delfín.

O espaço será utilizado para acompanhar indicadores como qualidade da água, redução do escoamento superficial, diminuição da temperatura e aumento da biodiversidade local.

A experiência deverá servir como referência para futuras intervenções do BH Cidade Viva em outras áreas da capital.

Programa quer “desconcretar” Belo Horizonte

Durante o lançamento, o prefeito Álvaro Damião afirmou que a proposta busca ampliar a prevenção aos impactos das chuvas e reduzir a impermeabilização excessiva da cidade.

“Um dia importante para a gente aqui em Belo Horizonte. É o dia que a gente assina uma cooperação internacional que vai viabilizar financeiramente o projeto Cidade Viva, que nós construímos para poder desconcretar Belo Horizonte”, afirmou.

O prefeito também destacou que o enfrentamento às chuvas intensas exige medidas preventivas realizadas ao longo de todo o ano.

“Você se prepara para as fortes chuvas, não é esperando a chuva acabar para que ela possa testar a bacia de contenção que você fez. Você testa durante todo o ano através de um trabalho preventivo, e esse é um trabalho preventivo. A água tem que cair, e ao invés de correr para um bueiro, que ela encontre uma grama, que ela encontre terra para que não precise nem chegar ao bueiro”, declarou Álvaro Damião.

Venda Nova no centro da adaptação climática

Com as primeiras intervenções concentradas na região, Venda Nova passa a ocupar posição estratégica na implantação do BH Cidade Viva. O conjunto anunciado reúne recuperação ambiental, drenagem sustentável, arborização, mobilidade a pé, educação ambiental, segurança alimentar e participação comunitária.

Além das ações iniciais na região, o programa prevê para Belo Horizonte corredores ecológicos em vias definidas como conexões verdes pelo Plano Diretor, parques ciliares, sistemas sustentáveis de drenagem, ciclovias, captação de águas pluviais em escolas e unidades de saúde, recuperação de nascentes e transformação de pátios escolares em áreas verdes.

O BH Cidade Viva também estabelece um modelo de governança participativa, com envolvimento de moradores, escolas, universidades e instituições parceiras na implantação, manutenção e acompanhamento das intervenções.

A expectativa é que as experiências iniciadas em Venda Nova ajudem a construir referências para outras regiões da capital, especialmente diante de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e ondas de calor.

 


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