Arte e Ciências se unem para transformar aulas em Venda Nova

Projeto da Escola Moysés Kalil estimula protagonismo, criatividade e trabalho em equipe

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Arte e Ciências se unem para transformar aulas em Venda Nova
Foto Cláudio Lacerda / PBH

Na Escola Municipal Moysés Kalil, no bairro Mantiqueira, em Venda Nova, aprender Ciências ganhou novas cores. Em vez de apenas livros e cadernos, estudantes estão usando pincéis, tintas e telas para conhecer, de forma prática e colaborativa, os sistemas do corpo humano.

A iniciativa é conduzida pelo professor Israel Willer Praga Santos, formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), e envolve seis turmas do 6º ano e três turmas do 8º ano. A proposta une Arte e Ciências em um projeto que incentiva o protagonismo estudantil, o trabalho em equipe e a aprendizagem por meio da criatividade.

Após o sucesso de um projeto anterior em que os alunos produziram pinturas inspiradas nos mascotes da Copa do Mundo, o professor decidiu ampliar a metodologia. Desta vez, cada turma trabalha coletivamente na produção de telas que retratam os diferentes sistemas do corpo humano.

Segundo Israel, muito mais do que produzir obras de arte, a atividade busca desenvolver competências essenciais para a formação dos estudantes.

"A pintura em tela vai muito além da produção artística. Ela cria oportunidades para que os estudantes convivam, compartilhem ideias, respeitem diferentes formas de expressão e aprendam uns com os outros. Assim, mostramos que aprender não é apenas adquirir conhecimentos, mas também desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a capacidade de construir junto com o outro."

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Projeto une teoria, prática e investigação científica

A metodologia adotada é dividida em quatro etapas. Primeiro, os estudantes recebem os esboços e iniciam a pintura das telas. Em seguida, o conteúdo é aprofundado em sala de aula pelo método tradicional.

Na terceira etapa, as turmas realizam uma visita técnica ao Museu de Ciências Morfológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde podem relacionar os conhecimentos adquiridos com experiências práticas. Por fim, os trabalhos serão apresentados na Mostra de Investigação Científica Escolar, repetindo a experiência bem-sucedida do ano passado.

Para o professor, essa combinação de metodologias aumenta significativamente o interesse dos alunos. "O alcance pedagógico do que está acontecendo aqui hoje é que os alunos participam com mais engajamento nas atividades e, com isso, conseguimos resultados mais satisfatórios e significativos."

Ele destaca ainda que o projeto estimula a curiosidade, a cooperação solidária e a tomada de decisões em grupo, habilidades fundamentais para a vida em sociedade.

Protagonismo estudantil em destaque

A diretora da escola, Gleise Santana, afirma que a iniciativa fortalece um dos principais objetivos da instituição: incentivar o protagonismo dos estudantes, especialmente no terceiro ciclo do Ensino Fundamental.

Segundo ela, atividades como essa aumentam o envolvimento dos alunos com o conteúdo, favorecem a socialização, fortalecem a convivência entre os colegas e tornam o aprendizado mais significativo.

A vice-diretora Cristiani Otoni Matildes ressalta que a metodologia oferece uma nova forma de ensinar e aprender. "Os alunos participam diretamente, fazem junto, e isso é muito importante para o desenvolvimento deles e também para estimular os professores."

Já o coordenador geral Edivaldo Fernandes Ramos, professor de Geografia, acredita que metodologias ativas conseguem despertar muito mais interesse do que as aulas exclusivamente expositivas. "Esse projeto trabalha as habilidades com envolvimento."

Estudantes aprovam a experiência

Os próprios alunos confirmam o impacto positivo da iniciativa.

A estudante Maysa dos Santos, do 8º ano, afirma que o projeto permite que os alunos sejam protagonistas do próprio aprendizado. "Esse projeto nos dá a chance de ser protagonista da nossa vida escolar."

Para Rennan Diego, que estuda na Escola Moysés Kalil desde a Educação Infantil, as atividades em grupo aproximam os colegas. "Gosto de passar mais tempo ao ar livre e das atividades em grupo. Assim me aproximo mais dos meus colegas."

Já Enzo de Brito conta que a curiosidade despertada pelo projeto foi além da sala de aula. "Quando o professor nos contou como seria a atividade, fui pesquisar por conta própria nas redes sociais. Gostei muito do que encontrei. Hoje, colorindo, estou aprendendo ainda mais."

Ao integrar Arte, Ciências e metodologias ativas, a Escola Municipal Moysés Kalil mostra que o aprendizado pode ultrapassar os limites da sala de aula, estimulando criatividade, cooperação, pensamento crítico e participação dos estudantes na construção do próprio conhecimento.


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