Câmara de BH debate vício em apostas online em audiência pública

Iniciativa vai discutir impactos das bets na saúde mental da população, considerando avanço de quadros como ansiedade e depressão

25/08/2025 16h35 - Atualizado há 5 dias
Câmara de BH debate vício em apostas online em audiência pública
Joédson Alves / Agência Brasil

A Câmara Municipal de Belo Horizonte vai discutir, na próxima terça-feira (26), os impactos do vício em apostas online na saúde mental da população. A audiência pública da Comissão de Saúde e Saneamento foi requerida por Edmar Branco (PCdoB) e outros cinco vereadores. O encontro será às 10h, no Plenário Camil Caram, com transmissão pelo portal e canal do Legislativo no YouTube.

A ludopatia, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como transtorno comportamental, é caracterizada pela compulsão em apostar, mesmo diante de perdas financeiras, emocionais e sociais. Os vereadores defendem que o acesso facilitado a plataformas digitais, aliado à publicidade agressiva e à ausência de regulação mais rígida, tem ampliado casos de jogo compulsivo.

Prejuízos financeiros e emocionais

Além de Edmar Branco, assinam o pedido Flávia Borja (DC), Iza Lourença (Psol), Juhlia Santos (Psol), Luiza Dulci (PT) e Wagner Ferreira (PV). Os parlamentares destacam que a dependência em apostas esportivas, conhecidas como “bets”, tem provocado aumento nos diagnósticos de depressão, ansiedade e ludopatia, além de endividamento e desestruturação familiar.

O Hospital Espírita André Luiz, referência no tratamento de saúde mental em BH, registrou aumento de 300% nos atendimentos ligados à ludopatia. Pesquisa do Instituto DataSenado, de 2024, aponta que 13% dos brasileiros com 16 anos ou mais já apostaram em plataformas digitais — cerca de 22 milhões de pessoas. Entre os apostadores, 58% relataram dívidas em atraso superiores a 90 dias.

Política integrada

Segundo os autores, o enfrentamento do problema exige políticas públicas de prevenção, diagnóstico precoce, acolhimento e tratamento, além de ações educativas. O requerimento cita ainda a necessidade de regulação da publicidade e de programas de conscientização sobre os riscos das apostas.

“O debate permitirá avançar na formulação de medidas eficazes de prevenção, enfrentamento e tratamento, assim como na criação de marcos normativos e ações educativas que possam mitigar os impactos do vício em apostas sobre a população de Belo Horizonte”, afirmam os vereadores no texto.

Foram convidados para a audiência representantes das secretarias de Saúde do município e do Estado, dos conselhos regionais de Psicologia e Psiquiatria, além de coordenadores dos Centros de Referência em Saúde Mental.


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