PBH e TJMG firmam parceria de R$ 146 milhões para ampliar atendimento à população em situação de vulnerabilidade

Convênio prevê novos Centros Pop, unidades de acolhimento, reforço na saúde mental e acompanhamento de pessoas em situação de rua após audiências de custódia

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Foto: Rodrigo Clemente / PBH

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) assinaram nesta segunda-feira (15) um convênio de cooperação técnica e financeira voltado à ampliação do atendimento à população em situação de vulnerabilidade social, especialmente pessoas em situação de rua.

A iniciativa, implantada inicialmente em caráter experimental por meio de um projeto-piloto, prevê investimentos de R$ 146 milhões até 2028 e estabelece uma atuação integrada entre assistência social, saúde e justiça para oferecer acolhimento, acesso a direitos e oportunidades de reinserção social.

O principal objetivo da parceria é criar um fluxo de atendimento para identificar pessoas em situação de vulnerabilidade que passam pelo sistema de Justiça após serem detidas e encaminhá-las à rede municipal de saúde e assistência social.

Acompanhamento após audiências de custódia

De acordo com o convênio, pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social que forem apresentadas à Justiça passarão por uma análise e, quando necessário, serão encaminhadas para serviços públicos especializados.

Durante a cerimônia de assinatura, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, destacou a importância da iniciativa.

“Hoje é um dia muito importante para nós em Belo Horizonte porque, em parceria com o Tribunal de Justiça, podemos dar uma resposta à população que pergunta o que fazer para resolver esse problema. E eu sempre disse: a pessoa que mora na rua não é o problema; o problema é morar na rua na cidade”, afirmou.

O prefeito acrescentou que o debate com instituições e a sociedade civil resultou em uma solução conjunta.

“Convidamos o Tribunal de Justiça, Ministério Público e a sociedade civil para debater o assunto. Dessa discussão surgiu uma parceria muito bem-vinda. O Tribunal não apenas avalia as operações que realizamos, como também oferece apoio financeiro para ajudar as pessoas que vivem nas ruas da cidade”, disse.

O presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Júnior, explicou como funcionará o novo fluxo de atendimento.

Segundo ele, pela legislação brasileira, toda pessoa presa deve ser apresentada à autoridade judicial. A partir de agora, durante esse processo, haverá uma análise das condições sociais e de saúde do indivíduo.

Caso a pessoa seja liberada na audiência de custódia e apresente sofrimento mental, transtornos psíquicos ou necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, ela poderá ser encaminhada para acompanhamento pela rede municipal.

“Nós não vamos simplesmente devolver a pessoa para a rua. O objetivo é que essas pessoas sejam cuidadas, atendidas e acompanhadas pela rede de tratamento do município”, afirmou o desembargador.

Ampliação da assistência social

Na área da assistência social, a parceria prevê a implantação de dois novos Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros Pop), elevando para seis o número total de unidades em Belo Horizonte.

Também está prevista a transferência da sede do Centro Pop Leste para um espaço com maior capacidade de atendimento, além do reforço das equipes de Abordagem Social para intensificar a busca ativa e o acompanhamento nos territórios.

O convênio contempla ainda a criação de novas unidades de acolhimento, incluindo:

  • Uma unidade destinada a famílias e mulheres adultas;
  • Uma unidade para homens adultos acompanhados de seus cães;
  • Duas Casas de Passagem para acolhimento temporário.

Além disso, haverá ampliação do acesso ao Cadastro Único e a benefícios sociais voltados à população em situação de rua.

Investimentos em saúde mental e atendimento móvel

Na área da saúde, o investimento permitirá a implantação de três novas Unidades de Acolhimento Transitório (UATs), que funcionarão 24 horas para atendimento de pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

Também serão criadas duas novas equipes de Consultório na Rua na Regional Centro-Sul e incorporadas duas novas vans, ampliando a capacidade de atendimento móvel.

A iniciativa prevê ainda o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial e da Atenção Primária à Saúde.

Integração entre Justiça e serviços públicos

No eixo de Justiça e Proteção Social, a parceria fortalecerá a atuação da Central de Garantias (SECAC/BH), responsável por fazer a ligação entre as audiências de custódia e os serviços públicos municipais.

A medida permitirá encaminhamentos mais rápidos para acolhimento, assistência social, saúde e acesso a direitos, além de ampliar o acompanhamento das pessoas em situação de vulnerabilidade após a audiência de custódia.

Entre os resultados esperados estão a ampliação da capacidade de atendimento à população em situação de rua, o aumento do acesso a serviços públicos e benefícios sociais, o fortalecimento da reinserção social e da autonomia dos usuários, além de maior integração entre a Prefeitura e o Tribunal de Justiça.

A expectativa é reduzir a descontinuidade do atendimento e evitar o agravamento das situações de vulnerabilidade social na capital mineira.

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