SAMU: trotes e solicitações indevidas representam 36% das ligações

Das 108 mil chamadas indevidas, mais de 15 mil foram trotes e 93 mil com solicitações de informações gerais

Por
3 Min

Essencial para salvar vidas com a assistência pré-hospitalar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registra um índice muito alto de chamadas indevidas em Belo Horizonte. Das cerca de 300 mil ligações recebidas de janeiro a julho de 2025, 108 mil não foram pertinentes aos cuidados prestados pelo Samu, o equivalente a 36%.

Das 108 mil chamadas indevidas, mais de 15 mil foram trotes e 93 mil com solicitações de informações gerais, como endereço de unidades de saúde. “Parte da população ainda não compreende a missão do Samu e como o tempo que um atendente gasta com trote, por exemplo, impacta no atendimento a uma ocorrência real”, lamenta o gerente do Samu-BH, Roger Lage Alves.

O Samu recebeu 141 mil solicitações corretas, das quais 76 mil resultaram em envio de ambulância. A média é superior a 358 atendimentos por dia: 51,6% dos socorros foram por causas clínicas, como parada cardiorrespiratória e suspeita de AVC; os traumas representaram 27,73%; e as causas psiquiátricas somam 10,22%.

Telefone 192

O pedido de atendimento do Samu é feito por contato telefônico, pelo número 192. O serviço funciona 24 horas. Além do socorro no local da ocorrência, o Samu também repassa orientações médicas por telefone.

Para o envio do socorro, o serviço utiliza um processo de regulação médica, que avalia a gravidade do caso e define se há necessidade de enviar uma ambulância e qual tipo de atendimento será empenhado.

Para prestar o devido cuidado, são feitas algumas perguntas ao solicitante, como o motivo da ligação, o endereço completo da ocorrência, a idade aproximada da vítima, o sintoma principal, o estado de consciência e se há histórico de doenças graves. Essas perguntas têm como objetivo identificar o tipo de emergência.

Roger também alerta para a percepção equivocada que muitas pessoas fazem do atendimento prestado. “O Samu não é um serviço de transporte. Há casos em que pessoa está estável, mas solicita a ambulância para que seja levada a um hospital. Essa não é a missão do Samu. Nesses casos, o médico regulador orienta que a pessoa procure, por meios próprios, uma unidade de saúde”, destaca.

Quando acionar o Samu?

- Problemas cardiorrespiratórios - Intoxicação exógena e envenenamento - Queimaduras graves - Trabalhos de parto em que haja risco de morte da mãe ou do feto - Tentativas de suicídio - Crises hipertensivas e dores no peito de aparecimento súbito - Acidentes ou traumas com vítimas - Afogamentos - Choque elétrico - Acidentes com produtos perigosos - Suspeita de infarto ou AVC (alteração súbita na fala, perda de força em um lado do corpo e canto da boca repuxado são os sintomas mais comuns) - Ferimento por arma de fogo ou arma branca - Soterramento ou desabamento com vítimas - Crises convulsivas
- Outras situações consideradas de urgência ou emergência, com risco de morte, sequela ou sofrimento intenso

Quando não acionar o Samu?

- Febre prolongada - Dores crônicas - Vômito e diarreia - Cólicas renais - Dor de dente - Troca de sonda - Corte com pouco sangramento - Entorses - Transportes inter-hospitalares de pacientes de convênio - Transporte para consulta médica ou para realizar exames
- Transporte em caso de óbito